A Educação Ambiental em Escolas de Educação Infantil de dois Municípios do Estado do Espirito Santo

Resumo

O objetivo deste estudo foi conhecer como se insere e desenvolve a educação ambiental na educação infantil em escolas públicas de dois municípios no Estado do Espirito Santo, Brasil. Trata de um estudo descritivo quantitativo. O universo da pesquisa foi 58 professores de Educação Infantil. O instrumento de coleta de dados foi um questionário de autopreenchimento com 13 perguntas objetivas sobre educação ambiental na comunidade escolar. Solicitou-se a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Dos 58 professores, 8 não aceitaram participar da pesquisa. A amostra final foi composta por 50 professores.  Do total de entrevistados, 98% são do sexo feminino e 2% do sexo masculino com idade entre 28 e 56 anos. Todos são graduados. A vivência com a educação escolar é de 3 a 18 anos na área de educação e de 1 a 18 anos de experiência na educação infantil. 96% dos professores desenvolvem a atividade do magistério em duas escolas e 4% em uma e afirmam que o conteúdo de educação ambiental é desenvolvido por meio de aulas dialogadas. Conclui-se que as escolas carecem de projetos de educação ambiental que integrem conteúdos com todas as disciplinas e que inclua a comunidade local.  O emprego de oficinas ecológicas é uma estratégia com bom índice de aceitação por parte dos professores e bom resultado por parte dos alunos da rede municipal que se sensibilizam para a preservação, manutenção da qualidade de vida ambiental em sua comunidade.

Palavras-chave: Educação Infantil. Educação Ambiental. Oficinas Ecológicas.

*Pedagoga pela Universidade Federal do Espirito Santo (UFES), Pós-graduação em educação Infantil pela faculdade Integrada de Jacarepaguá (FIJ), Mestre em Ciências da Educação- Universidade Pontifica Artística do Paraguai (UPAP)

Environmental Education in Early Childhood Education Schools two Municipalities of the State of Espírito Santo

ABSTRACT

The aim of this study was to understand how it operates and develops environmental education in early childhood public schools in two cities in the State of Espírito Santo, Brazil. Is a descriptive and quantitative study. The research sample was 58 teachers in Early Childhood Education. The data collection instrument was a self-administered questionnaire with 13 items about environmental education in the school community. Requested to signing the informed consent. The total 58 teachers, 8 teachers refused to participate. The final sample consisted of 50 teachers. Of the respondents, 98% were female and 2% of males aged between 28 and 56 years. All are graduates. The experience with schooling is 3-18 years in the field of education and 1-18 years of experience in early childhood education. 96% of teachers develop activity    in two schools and 4% in one, and claim that the content of environmental education is developed through dialogued classes. Concludes that the schools lack of environmental education projects that integrate content with all disciplines and includes the local community. The use of ecological strategy workshops is a good level of acceptance by teachers and good results from students in the municipal system that are sensitive to the preservation, maintenance of environmental quality of life in their community.

Key-Words:  Childhood Education. Environmental Education. Ecological workshops

INTRODUÇÂO

No Brasil, a educação ambiental é concebida como ação educativa. Em 1995, o Fórum Internacional das Organizações Não Governamentais consolidou o Tratado da Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global como sendo um de seus principais documentos reconhecendo, inclusive, a educação como direito dos cidadãos e firma posição na educação transformadora.

Ao analisar a temática ambiental no contexto da educação, Teixeira (2007, p.23) ressalta que dentro dos órgãos públicos de meio ambiente, “a educação ambiental é como um instrumento de gestão ambiental”. Essa visão aumenta significativamente a responsabilidade do educador na condução desta temática na sala de aula e principalmente quando se trata da educação infantil.

 No Brasil, a educação infantil iniciou-se, no final do século XIX, como uma estratégia para combater a pobreza, oferecida pelo Estado, e como complementação de salário. Porém, os objetivos se, divergem enquanto instituição e entidade privada. O principal objetivo da primeira é assistencialista e o da segunda, oferecida para as crianças de classe média, são objetivos próprios da educação. A esse propósito, Oliveira (2000, p. 17) assim se manifesta:

[…] assim, enquanto os filhos das camadas médias e dominantes eram vistos como necessitando um atendimento estimulador de seu desenvolvimento afetivo e cognitivo, às crianças mais pobres era proposto um cuidado mais voltado para a satisfação de necessidades de guarda, higiene e alimentação.

Portanto, a trajetória das creches e escolas maternais foi marcada pelas tradições assistenciais, destinadas às crianças das famílias pobres. No entendimento de Oliveira (2000, p. 19), no Brasil as creches surgiram para atender às necessidades “[…] do trabalho feminino industrial, respondendo, assim questões como abandono, a desnutrição, a mortalidade infantil, a formação de hábitos higiênicos e a moralização das famílias operárias”.

A Constituição Brasileira de 1988 definiu em seu dispositivo legal, art. 208, inciso IV, a obrigação do atendimento em creche e pré-escola, ás crianças de 0 a 6 anos de idade ressaltando que:

O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento em creche e pré-escola ás crianças de zero a seis anos de idade. Criou uma obrigação gratuita para todo sistema educacional, que teve que se equipar para dar respostas a esta nova responsabilidade, a qual foi confirmada pela Lei de Diretrizes de Base (1996).

De acordo com Oliveira (2000), os jardins de infância foram instituídos no Brasil espelhados em modelos lançados em outros países, os mesmos eram destinados às crianças de famílias ricas, cujo objetivo era a socialização e preparação da criança para o ensino fundamental.

Na concepção de Campos et al. (1992, p. 18), em relação ao atendimento em creches e pré-escolas “à área de educação representa, pelo menos no nível do texto constitucional, um grande passo na direção da superação do caráter assistencialista predominante nos programas voltados para essa faixa etária”.

Considerando que a docência da Educação Infantil é voltada para crianças com idade entre 0 e 5 anos, é importante lembrar as concepções de teóricos, como Piaget e Vygotsky que desenvolveram pesquisas e estudos voltados para o desenvolvimento cognitivo das crianças que passa por processos de desenvolvimento que devem ser observados, respeitando o desenvolvimento pessoal e social de cada um (OLIVEIRA, 2000).

Portanto, no processo de construção do conhecimento, as crianças utilizam as mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem ideias, hipóteses originais, sobre aquilo que buscam desvendar. Nessa perspectiva, as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem.

 Em relação ao meio ambiente, a gestão escolar e as atividades educativas podem ser o diferencial no controle do processo de devastação do meio ambiente. As questões ambientais não podem se reduzir apenas às discussões que se referem à deterioração dos recursos naturais, mas acrescentar a essas discussões, a importância de desenvolver, já na educação infantil, o censo crítico a respeito da preservação do planeta em que vivemos.

 Trabalhar essa temática, já na mais tenra idade, é contribuir para que o desenvolvimento sustentável ocorra de modo eficaz. A criança tem um caráter puro e leva a sério tudo que lhe é ensinado, é capaz de desenvolver o que aprende, em seu meio de convivência social. Estabelecer esses estudos na estrutura curricular do projeto pedagógico da escola, certamente promoverá a formação de novos cidadãos ecologicamente mais conscientes. Um trabalho significativo e transformador nas salas de aulas da Educação Infantil pode ser alcançado com o planejamento das atividades com reflexos na escola e na sociedade.

Este estudo tem por objetivo conhecer como se insere e desenvolve a educação ambiental na educação infantil em duas escolas públicas municipais das cidades de Cariacica e Vila Velha no Estado do Espírito Santo.

METODOLOGIA

Trata de um estudo descritivo quantiqualitativo. O universo da pesquisa foram 58 professores de Educação Infantil que atuam em 2 escolas públicas municipais, uma em Cariacica e outra em Vila Velha, localizadas no Estado do Espírito Santo, Brasil.  A primeira escola possui 10 salas de aula e oferece atendimento a 400 crianças de 1 a 05 anos de idade em dois turnos (matutino e vespertino). A segunda escola tem 12 salas de aula e oferece atendimento a 580 crianças de 1 a 05 anos de idade em dois turnos (matutino e vespertino). O instrumento de coleta de dados foi um questionário de autopreenchimento e de caráter anônimo, elaborado com 13 perguntas objetivas sobre educação ambiental na comunidade escolar. Solicitou-se ainda a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

 Do total da amostra de 58 professores, 8 não aceitaram participar da pesquisa. A amostra final foi composta por 50 professores. A apresentação dos resultados será por meio da estatística descritiva na forma de tabelas e gráficos.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Do total de entrevistados, 98% são do sexo feminino e 2% do sexo masculino com idade entre 28 e 56 anos. Todos são graduados. A vivência com a educação escolar é de 3 a 18 anos na área de educação e de 1 a 18 anos de experiência na educação infantil. 96% dos professores desenvolvem a atividade do magistério em duas escolas e 4% em apenas uma escola .

Dos profissionais pesquisados 64% estãos satisfeitos com a profissão, 20% estão muito satisfeitos, 12% poucos satisfeitos e 4% nada satisfeito, como mostra o gráfico 1.

Gráfico 1 – Nível de satisfação com a profissão.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

Apesar dos problemas que permeiam o espaço da ação docente, a soma dos satisfeitos e muitos satisfeitos totaliza 84% dos professores que participaram da pesquisa, evidência de uma alta autoestima o que está de acordo com Cury, (2003), quando afirma que “ser educador é ser promotor de autoestima”.

Este é o grande desafio para os docentes no contexto contemporâneo. Sabe-se que existem vários fatores que podem interferir e determinar a autoestima do professor, tais como: o desempenho profissional e pessoal, a influência do ambiente de trabalho, postura dos colegas, reconhecimento do trabalho realizado por parte das famílias, valorização profissional por parte dos governantes, salário justo e outros. O professor encontra-se diante de tantos desafios e ainda deve ser capaz de manter sua autoestima para que seu desempenho profissional não seja prejudicado e não interfira o processo de ensino aprendizagem dos educandos.

 Em acréscimo, essa satisfação se comprova quando 78% afirmam que lecionar foi uma decisão pessoal, 14% foram influenciados por outras pessoas, 4% porque não tiveram oportunidades no mercado e 4% por outros motivos, como mostra o gráfico 2.

 Grafico 2 Motivo da escolha da profissão

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

Embora tenham se mostrado satisfeitos com a docência, muitos consideram que o ambiente e as condições de trabalho poderiam ser melhores. Ressaltam a necessidade de valorização profissional e ausência de políticas públicas na área da educação.  Apesar das dificuldades encontradas na profissão, gostam do que fazem e realizam as atividades com prazer; em acréscimo relatam que o modelo atual da escola não corresponde às expectativas dos alunos e reflete na prática docente. Principalmente na educação infantil, o educador necessita estar motivado durante todo tempo, uma vez que lida com crianças pequenas e esse trabalho necessita ser realizado com alegria, de maneira prazerosa para que consiga contagiar e envolver as crianças no novo mundo que elas fazem parte, de maneira lúdica, onde aprendem e se desenvolvem por meio de um jogo de brincadeiras versus mundo real

Em relação a inserção da educação ambiental os professores foram unânimes em afirmar que ambas as escolas de educação infantil a comtemplam em sua estrutura curricular.

Quanto ao desenvolvimento da educação ambiental 56% dos professores usam projetos escolares , 20% recorrem às brincadeiras, 12% preferem repassar conteúdos e 8% adotam as oficinas ecológicas. (gráfico 3 ).

Grafico 3 Como você desenvolve na prática, o ensino da Educação Ambiental

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

O meio ambiente é alvo constante da ação do homem, os impactos causados degradam os recursos naturais e ameaçam de extinção a fauna e a flora mundial.  Trabalhar essa questão na escola exige planejamento.  A criança deve vivenciar a realidade para, assim, ser um multiplicador da consciência ecológica.

Rubem Alves (1994, p.12) no livro “A alegria de ensinar” relata: O mestre nasce da exuberância da felicidade. E por isso mesmo, quando perguntamos sobre a sua profissão, os professores deveriam ter coragem para dar a absurda resposta; “Sou um pastor da alegria…”.

 Em relação ao tema educação ambiental, qual o tempo disponibilizado pela escola para desenvolvê-lo. Segundo 36% dos professores,  durante todo período letivo, 12%  a cada  semestre,  28%  por bimestres, já 14% indicam por mês.  (Gráfico 4).

Gráfico 4 Durante o período letivo, qual a periodicidade de abordagem do tema educação ambiental.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

A preservação do meio ambiente desempenha um importante papel no contexto das organizações, isto é fato. Por outro lado, empresas dos diversos setores assumem compromissos de implementar e desenvolver ações que protejam o meio ambiente. Por isso, quanto mais planejado o processo de abordagem da Educação Ambiental nas escolas, nas salas de aula, maior será o resultado alcançado junto à sociedade. Assim, os elementos gestão e educação agindo em conjunto podem ser o diferencial no controle do processo de devastação do meio ambiente.

 Em relação ao desenvolvimento de temas de educação ambiental na disciplina de responsabilidade do professor, 76% disseram ser fácil, 14% afirmaram que é um pouco fácil, 8% disseram que não é fácil e 2% consideram que há falta de estrutura na escola para desenvolver um projeto mais amplo.  (Gráfico 5).  

Gráfico 5 É fácil desenvolver temas de educação ambiental na disciplina que ministra na escola.

Fonte: Dados da pesquisa,2012

Este resultado demonstra que 76% dos educadores estão dispostos a desenvolver temas relativos a educação ambiental independente da disciplina que ministram na escola, o que sugere uma consciência ecológica, o que contribui para a inserção no projeto pedagógico da escola de oficinas ecológicas, e a sua realização amplia a  possibilidade do desenvolvimento  de temas ambientais na sala de aula, o que contribui efetivamente para a preservação, resgate e fiscalização dos recursos naturais.

Em relação ao ecoturismo no município em que a escola está localizada, 76% disseram que é possível e viável, mas 26% disseram que não como mostram os dados do gráfico 6.

Gráfico 6 – O turismo ecológico é viável no município onde sua escola está localizada.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

Observa-se que 74% dos professores apontam para a viabilidade do ecoturismo no município de origem da escola e 26% não. Associado a este fato, é preciso que a escola ofereça as condições de execução de um projeto pedagógico inclusivo em relação a educação ambiental, com aproveitamento dos recursos naturais que o município oferece. Todas as atividades devem ser acompanhadas de educação ambiental, esta concebida como ação educativa. Corrobora com este resultado a Organização Mundial do Turismo (2003), quando afirma que esta atividade turística é um mercado promissor, principalmente na América Latina onde muitos países possuem significativas reservas naturais.

Considerando a viabilidade do ecoturismo no município, perguntou-se aos professores como deveria ser a participação dos alunos. 48% dos professores responderam que por meio de projetos ambientais da Secretaria de Educação do Estado do Espirito Santo, 30% atuariam como vigilantes ambientais e 6% guias turísticos, 16% não responderam. (Gráfico 7).

Gráfico 7 – Como os alunos da sua escola poderiam contribuir e participar do ecoturismo.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

O ecoturismo existe há muito tempo na sociedade, mas a sua importância como alternativa e estratégia como recurso econômico, define a principal diferença entre essa atividade turística e o turismo tradicional,além  da responsabilidade, critérios e princípios voltados para o desenvolvimento sustentável.

Realizar oficinas ecológica visando a preparação do aluno para atuar em ações voltadas para o ecoturismo é uma alternativa, para tanto existe amparo legal (Brasil, Lei 6.938/81) que determina as secretarias de meio ambiente a desenvolverem programas ambientais.

As ações desenvolvidas por meio da Educação Ambiental buscam atender os objetivos desta proposta, que em seu art. 3º determina “Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental”, e no Inciso I coloca sob a responsabilidade do Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a dimensão “ambiental, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente”. Na perspectiva do desenvolvimento sustentável, a educação ambiental é referência da possibilidade de se construir sociedades justas e ecologicamente equilibradas (sociedades sustentáveis).

Quando perguntados sobre programa de educação ambiental na escola, 56% dos professores disseram que a escola não tem programa de educação ambiental, mas 32% disseram que sim e 12% afirmaram que o projeto está em estudo como mostra o gráfico 8.

Gráfico 8 – A escola possui programa de educação ambiental.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

Este resultado reflete a urgente necessidade de mudança em relação a forma de ensinar a educação ambiental e principalmente a falta de gestão ambiental estadual e municipal  e também sua atuação junto a secretaria de educação.

A adoção da educação ambiental enquanto eixo pedagógico associado à gestão ambiental aumenta a viabilidade de se alcançar, de modo gradual e eficaz, o desenvolvimento sustentável de forma mais acelerada e eficiente, pois a educação ambiental concebida como proposta pedagógica possibilita a formação de sujeitos sociais com potencial e capacidade crítica, participação na construção de uma sociedade sustentável, cuja principal responsabilidade é qualidade do ambiente. A educação ambiental, enquanto um dos instrumentos da educação, também visa a formação humana.

Em relação a atuação do governo e da própria escola, 42% dos professores afirmaram que o governo deve investir mais, comprometer-se mais e respeitar mais o meio ambiente. 28% que o governo deve incentivar mais a escola quanto a educação ambiental. Quanto a escola, 22% acham necessário mais interesse e participação dos profissionais e 8% apontam a necessidade de qualificar os profissionais da área como mostra o gráfico 9.

Gráfico 9 Como o governo e a escola poderiam estimular mais a Educação Ambiental na escola.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

Com base nesses resultados sugere-se aos órgãos oficiais de educação a participação das escolas de forma efetiva no processo de tomadas de decisões estratégicas relacionadas à questão ambiental e ecológica do seu entorno. Assim, tornariam mais significativas as vantagens obtidas pela educação ambiental.  As oficinas ecológicas, como parte dos projetos pedagógicos podem se desenvolver de forma especifica.  Os temas voltados para o meio ambiente, devem integrar professor, alunos e comunidade. Isso é possível a partir de uma ação integrada que produzirá os requisitos necessários em relação ao tema. Quanto a realização de atividades, 60% dos professores afirmam terem realizado reciclagem com seus alunos, 26% optaram pela coleta seletiva de lixo, 6% a tralha ecológica, 6% nunca trabalharam e 2% disseram outra atividade, mas não apontaram qual como mostra o gráfico 10.

Gráfico 10 – Que oficina ecológica realizou com seus alunos.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012

A preservação do meio ambiente desempenha importante papel no contexto das organizações. Muitas empresas, de diversos setores assumem compromissos, por meio da responsabilidade social de implementar e desenvolver ações que protejam o meio ambiente.

A consciência ecológica, em função das graves ameaças e problemas causados pelo aquecimento global, desmatamento e poluição, está se tornando maior na educação, na sociedade e nas organizações. Em resposta a essa conscientização, as escolas deveriam investir mais no trabalho com projetos pedagógicos, por meio das oficinas ecológicas que desenvolvem proposta especificas para o meio ambiente.

 Com relação ao resultado das oficinas ecológicas, 70% dos professores disseram que foi satisfatório; 26% acharam que foi muito satisfatório, 2% não ficaram nada satisfeitos e 2% não responderam como mostra o gráfico 11.

Gráfico 11 – Quanto ao resultado da realização da oficina ecológica.

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Este resultado respalda a importância da realização das oficinas ecológicas como meio eficaz para a educação ambiental nas escolas. Quanto a inclusão de oficinas ecológicas na educação infantil, 94% dos pesquisados afirmam  que  atividades ambientais e oficinas ecológicas devem integrar o currículo da educação infantil e 6% não responderam a este item do questionário.

Trabalhar a Educação Ambiental, face aos inúmeros problemas, requer um planejamento bem elaborado e detalhado para que os resultados esperados sejam alcançados, principalmente quando se trata da educação infantil.

No contexto da instituição de ensino, a partir da leitura de Moreira (2000), a análise do currículo expressa os seus valores, princípios, crenças, e projetos, desperta a atenção para o que ocorre fora da sala de aula, modo de utilização e como são dinamizados todos os espaços e tempos, rotinas, regras, relações interpessoais, elementos que constituem o clima da escola e não são contemplados no currículo. Este não deve ser fragmentado, deve conter uma confluência de todas essas teorias para que, numa ideia mais ampla, a ele seja dada a devida importância como agente formador e transformador na vida dos indivíduos.

Para a escola, o currículo é um desafio que requer uma reflexão constante, pois é por meio dele que se deslocam crenças sempre provisórias, a atenção e a escuta de cada gesto. No âmbito da legislação educacional, os currículos e programas escolares são elementos oficiais da interferência do poder constituído na organização formal do ensino.

Finalmente a análise do resultado, permite afirmar que os professores pesquisados demonstram interesse pelo tema Educação Ambiental e pela sua prática na escola de modo mais efetivo e produtivo. No entanto, problemas como falta de estrutura das escolas para o desenvolvimento de um projeto mais amplo, pouca participação dos profissionais em torno da questão, pouco incentivo do governo para impulsionar o desenvolvimento do conteúdo em sala de aula, a falta de formação inicial e de qualificação continuada dos profissionais, constituem-se em barreiras e desafios que devem ser vencidos para que as atividades e oficinas ecológicas sejam integradas ao currículo da educação infantil.

 Como ressalta Lima (2004, p.127), uma das características da visão conservadora é conceber a educação ambiental de “modo reducionista, fragmentado e unilateral as questões ambientais, partindo da compreensão naturalista e conservacionista da crise ambiental”, quando na realidade deveria inseri-la em todos os contextos associados aos problemas ambientais.

CONCLUSÃO

 Foi possível conhecer como a educação ambiental é desenvolvida nas escolas de educação infantil dos municípios de Cariacica e Vila Velha no Estado do Espirito Santo. As escolas carecem de projetos de educação ambiental que integrem conteúdos com todas as disciplinas e que inclua a comunidade local. Observou-se que o conteúdo é desenvolvido por meio de aulas dialogadas. O emprego de oficinas ecológicas é uma estratégia com bom índice de aceitação por parte dos professores e bom resultado por parte dos alunos da rede municipal que se sensibilizam para a preservação e manutenção da qualidade de vida em sua comunidade.

REFERÊNCIAS

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___. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Brasília, DF, 20 dez. 1996. Disponível em <portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/lein9394.pdf>. Acesso em 10 mai,. 2012.

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