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A maratona da vida

Por Nadir

Toda maratona expressiva começa com o primeiro passo, culminando com a premiação dos poucos vencedores que sobem ao pódio, onde em poucos minutos são condecorados com os louros da vitória. No entanto, a maratona em si, consome várias horas em trechos, ora planos, ora em declives ou pontos íngremes, entre a largada e esse momento extremamente sublime para quem o alcança.

Consumindo energia acumulada e conservada exclusivamente para esta situação e momento marcante – correr na direção do alvo proposto – ser premiado.

Estar no topo do pódio demanda apenas alguns minutos. No entanto, nos bastidores do tempo que antecede tal conquista, são gastas horas e meses de árdua preparação sem a qual não se alcança tal resultado. Determinação e persistência são ingredientes insubstituíveis para não perder-se o alvo de vista, o objetivo principal – a premiação – ou o acúmulo das experiências advindas de tal empenho.

Ganhar o prêmio na maratona da vida requer do homo sapiens o mesmo empenho, a mesma dose de determinação, sem a qual não obterá resultados com boa qualidade em seus projetos e alvos.

Necessário se faz constante reciclagem da qualidade e determinação de seu treinamento diário na busca da excelência no trabalho, na sobriedade e caráter e prática da cidadania com qualidade de vida não apenas nos aspectos mensuráveis como o é a qualidade do ar, mas, em termos de equilíbrio psicológico, emocional e da durabilidade da vida, como sendo algo não reciclável que requer ingredientes indispensáveis e necessários para se alcançar o pódio da maratona da vida com qualidade para um bom viver. Pontuação de objetivos úteis e necessários não apenas a si, mas que agregue valor ao mundo que o cerca, e às pessoas que o rodeie.

Não basta existir, estar vivo e preencher um espaço em algum ponto do planeta. Importa existir com qualidade de vida, agregando valor à sua própria existência e à dos demais ao seu redor. Proporcionar respostas à perguntas tais como:

Por que estou aqui?

Como escrevi minha própria história e maratona de vida?

Como gostaria de ser lembrado por aqueles que cruzaram meu caminho pessoal, existencial?

Ser lembrado como um parasita que não gostava de trabalhar?

Como alguém incapaz de reconhecer os próprios erros, de perdoar ou pedir perdão?

Alguém que machucava a todos como um porco espinho, sem sequer dar-se conta disto?

Qual meu maior legado às próximas gerações?

Não há resposta pronta para todos estes questionamentos, porém alguns precisam ser respondidos por aqueles que traçam boa rota para seu caminhar, não basta ir nalguma direção. É preciso ir-se na direção que leva ao melhor caminho. Não basta fazer um investimento qualquer, é preciso investir-se em algo que seja o melhor pelo menos naquele momento e circunstâncias conhecidas pelo indivíduo, cujos resultados nem sempre serão em dólares.

Na maratona da vida talvez não haja prêmios em dólares. Os prêmios nem sempre são pagos na moeda corrente. O prêmio pode ser uma carreira sólida e bem construída, ou uma família unida e alicerçada no amor, capital intelectual, conhecimentos adquiridos e compreensão mútuos. Podendo ser, inclusive o desfrutar de um corpo saudável em plena terceira idade, sem os desgastes desnecessários que uma vida dissoluta acarreta ao indivíduo que não planeja o desgaste de seu corpo a longo prazo. Um corpo físico terá maior durabilidade se mantiver uma maratona planificada.

O ser humano – muito embora desumano em muitas situações – gosta de ser lembrado, de ser louvado e acarinhado. No entanto, por vezes esquece-se de colocar em prática ações tão simples que agregam valor à sua própria maratona de vida, como por exemplo: ser persistente em ações úteis a todos e não apenas olhar ao redor do próprio umbigo. Amar com ações boas e não apenas com palavras bonitas e bem elaboradas, doar-se mais e exigir menos dos demais.

O mundo capitalista, nesta fase onde a velocidade da informação é um ingrediente sempre presente, faz do ser humano, um ser bastante desumano a ocupar algum espaço no planeta, em busca de rapidez e eficiência no cumprimento de prazos e promessas de entrega. Acabam por achatar muitas vezes o caráter, a dignidade e práticas que tornaria o humano mais humano, no afam de se engessarem nos ditames da cultura capitalista, nem sempre muito humana.

Empresas e patrões usam pessoas com sentimentos, como se fossem máquinas para fabricar capital financeiro. O alvo para muitos na maratona da vida pode ser a centralização do capital monetário em torno de um ícone financeiro, seja ícone pessoa, um banqueiro ou industrial, seja o ícone instituição comercial, filantrópica ou mesmo uma ONG que se organiza em torno de uma ideal “beneficiar a humanidade, reunida num ponto do planeta”, e pouco mais tarde, se torna trampolim para conquistas mais espúrias.

A maratona da vida, se bem planejada, conduz a melhores resultados, não apenas para os participantes, mas também para aqueles que os rodeiam. Torna o mundo melhor agregando-lhe qualidade e valor. Corramos todos esta maratona da vida com afinco sem perder de vista o alvo principal que não consiste apenas em prêmios financeiros, mas também, em melhorar a qualidade de vida espiritual, emocional, sentimental, financeira e global. Consiste em proporcionar aos filhos um lar equilibrado onde possam aprender valores não invertidos como acontece na sociedade hodierna. Consiste oferecer aos cônjuges a segurança emocional que a fidelidade proporciona. Significa trabalhar não apena à vista do patrão ou em função do salário por ele pago, mas trabalhar pela alegria de contribuir com as próprias para uma sociedade mais justa e igualitária.

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