Ensino de ciências nos anos finais do ensino fundamental

Temática Reflexiva da Educação

A importância da prática de Ensino em Ciências para superar os desafios da prática docente e como o estágio supervisionado poderá ajudá-lo (a) nessa prática.

Professor de Ciências: uma atividade fácil ou difícil de ser realizada?

Introdução

Responder questões sobre a atividade de professor de ciências é algo que requer reflexões. Vivemos uma época, onde a ciência se desenvolve muito rápido, sendo necessário acompanhar as novidades constantemente, pois o professor deve estar atento e repassar as transformações cientificas com entusiasmo a seus alunos. A formação acadêmica com boa teoria aliada a pratica de estagio com professores experientes e a convivência com os alunos molda o docente para aplicar o conhecimento cientifico filtrado para alunos que nem sempre tem referências, canais de informações e muitos têm resistência a ideias novas.

É notório a grande importância da prática de Ensino em Ciências, uma vez que, através dessa disciplina alinhada ao estágio supervisionado o futuro professor passa a vivenciar, desde início, formas de reavaliar e reinventar sua metodologia de ensino, frente à realidade de seus alunos. A finalidade da prática de estágio supervisionado é desenvolver em cada estudante dos cursos de licenciaturas não apenas a compreensão das teorias estudadas durante a graduação, mas também sua aplicabilidade e reflexão sobre a prática que se inicia neste momento, instrumentalizando o professor. Conforme Cury (2003, p.55) “educar é acreditar na vida, mesmo que derramemos lágrimas. Educar é ter esperança no futuro, mesmo que os jovens nos decepcionem no presente. Educar é semear com sabedoria e colher com paciência. Educar é ser um garimpeiro que procura os tesouros do coração”.

Desenvolvimento

O estágio supervisionado garante ao futuro professor de ciências, saber usar os instrumentos didáticos para cada realidade escolar. De acordo com Tardif (2002), o estágio supervisionado constitui uma das etapas mais importantes na vida acadêmica dos alunos de licenciatura e, cumprindo as exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), a partir do ano de 2006 se constitui numa proposta de estágio supervisionado com o objetivo de oportunizar ao aluno a observação, a pesquisa, o planejamento, a execução e a avaliação de diferentes atividades pedagógicas; uma aproximação da teoria acadêmica com a prática em sala de aula. O desafio de iniciar a carreira docente em ensino de ciências vai depender de um bom estagio pratico, onde o estagiário tem contato com as dificuldades da realidade na educação brasileira e sua capacidade de absorver as experiências de professores e funcionários da escola no trato com os alunos. Cada região tem sua realidade e será preciso ser flexível diante dos desafios, que as diferenças sociais moldam cada aluno. Segundo Imbernon (2001), crescer é ter acesso a informações, é ter atitude fazendo o aluno participar, é ser cidadão. Para isso é preciso conhecer os alunos, a comunidade interna e externa da escola são fatores que melhoram a qualidade do trabalho do educador, pois quando o professor conhece a realidade consegue elaborar melhor a sua prática de sala de aula e obter mais sucesso no seu trabalho.

O estágio curricular é compreendido como um processo de experiência prática, que aproxima o acadêmico da realidade de sua área de formação e o ajuda a compreender diversas teorias que conduzem ao exercício da sua profissão. É um elemento curricular essencial para o desenvolvimento dos alunos de graduação, sendo também, um lugar de aproximação verdadeira entre a universidade e a sociedade, permitindo uma integração à realidade social e assim também no processo de desenvolvimento do meio como um todo, além de ter a possibilidade de verificar na prática toda a teoria adquirida nos bancos escolares. Assim, os estágios são importantes porque objetiva a efetivação da aprendizagem como processo pedagógico de construção de conhecimentos, desenvolvimento de competências e habilidades através da supervisão de professores atuantes, sendo a relação direta da teoria com a prática cotidiana. Pois unir teoria e prática é um grande desafio com o qual o educando de um curso de licenciatura tem de lidar. E, se esse problema não for resolvido ou pelo menos suavizado durante a vida acadêmica do estudante, essa dificuldade se refletirá no seu trabalho como professor. Não é apenas frequentando um curso de graduação que uma pessoa se torna profissional. É, principalmente, envolvendo-se intensamente como construtor de umas práxis que o profissional se forma (FÁVERO, 1992).

Diante da realidade da atuação em sala de aula o professor fica “dividido entre as propostas inovadoras – racionalmente aceitas, e as concepções, interiorizadas de forma espontânea a partir da vivência irrefletida. Daí, a distância entre o planejamento do curso e a ação em sala de aula, entre as idéias defendidas e a prática realizada” (Garrido & Carvalho 1997: 4).

Ser professor de ciências no Brasil é complicado, pois existem diferenças sociais e culturais que influenciam e dificultam o ensino de acordo com as diretrizes de ensino. Os alunos não têm interesse em aulas paradas, assuntos decorados e lições metódicas, vai ser preciso adaptar o ensino oficial com um ensino que fale a realidade de cada aluno e isto é muito difícil para estagiários e professores iniciantes.  Para Huberman (1973), as mudanças das concepções e ações do professor, no ensino, estão estreitamente relacionadas à maneira como ele concebe sua identidade profissional. Como os valores e atitudes encontram-se empenhados em todas as mudanças, daí resultam, por parte do indivíduo, grande ansiedade, resistência prolongada e necessidade de um trabalho que leve em consideração o processo de “desaprender” e “reaprender”.

Considerações Finais

O ensino de ciências é fundamental para o complemento educativo e cultural dos alunos. É muito importante a atuação do aluno no estagio de licenciatura em ciências, ter a oportunidade de conviver e aprender em sala de aula. O estagio é o período onde o conhecimento teórico se molda a realidade da escola e da comunidade que ela pertence. Não é fácil promover conhecimento cientifico onde os alunos vem com baixo conhecimento em outras matérias, pois a leitura e o raciocínio logico estão muitas vezes comprometidos com uma escolaridade muito fraca. Por outro lado nã é difícil contornar as dificuldades, pois com metodologias bem aplicadas podemos mostrar em imagens, conversas em sala de aula e algumas práticas e causar a empolgação e a curiosidade cientifica e assim corrigir também as falhas no ensino geral. A educação de uma forma geral aprendida na escola, por convivências, por ensino didático bem aplicado, ajuda muito a formação do futuro cidadão

“A partir das relações que estabelecem entre si, os homens criam padrões comportamentos, instituições e saberes, cujo aperfeiçoamento é feito pelas gerações sucessivas, o que lhes permite assimilar e modificar os modelos valorizados em uma determinada cultura. É a educação, portanto, que mantém vida a memória de um povo e dá condições para sua sobrevivência. Por isso dizemos que a educação é uma instância mediadora que torna possível a reciprocidade entre indivíduo e sociedade.(ARANHA, 1996, p.15).”

Referências

CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes: A educação inteligente; formando jovens educadores e felizes. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2003.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

FÁVERO, Leonor Lopes. A Dissertação. São Paulo: USP/VITAE, 1992. 104 p

GARRIDO, E. E CARVALHO, A. M. P. (1997); A importância da reflexão sobre a prática na qualificação da formação inicial do professor. (preprint)

HUBERMAN, A.M. (1973);Como realizam as mudanças em educação:subsídios para o estudo da inovação, (Martins J. trad.), São Paulo, Cultrix.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação.2ª ed., São Paulo:Moderna,1996.

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