Estratégias de ensino da leitura

pessoas.

Ana Dionizia de Souza Aquino

Ludmilla Paniago Nogueira

Neide Figueiredo de Souza

Segundo a BNCC – Base Nacional Comum Curricular (2019) é preciso ampliar as possibilidades de construção do conhecimento aos alunos, de modo que não se perca o que eles apreenderam antes de chegar no Ensino Fundamental, seja na educação escolar, seja no âmbito familiar e/ou social. E isso se faz por meio da leitura e da escrita.

Leitura no contexto da BNCC é tomada em um sentido mais amplo, dizendo respeito não somente ao texto escrito, mas também a imagens estáticas (foto, pintura, desenho, esquema, gráfico, diagrama) ou em movimento (filmes, vídeos etc.) e ao som (música), que acompanha e cossignifica em muitos gêneros digitais. (MEC/BNCC, 2019, p. 70).

A exigência da formação leitura e a como esta se deve dar, depreende-se a necessidade de formação docente para a abordagem da leitura. Da mesma forma, a necessidade de aparato teórico-prático sobre leitura nos anos iniciais para o trabalho docente. Segundo Solé (2014), o problema do ensino da leitura na escola não se resume somente ao método, mas ao próprio conceito do que é leitura, a forma como ela é avaliada e favorecida, as propostas metodológicas utilizadas no seu ensino.

Solé (2014), compara que o ensino da leitura à construção de uma casa, afirmando que esta não pode começar pelo telhado. Nem sempre o método utilizado para o ensino da leitura favorece sua aprendizagem. O aluno não pode pensar na leitura como uma atividade obrigatória, ainda que o seja. Existem desafios nesse processo, devendo o educador atentar-se aos primordiais, como oferecer à criança subsídios que lhe permita vivenciar situações que estimulem o hábito da leitura – associar a leitura ao cotidiano da criança.

O estudo realizado por Gonçalves (2008) afirma que aos poucos o docente forma o aluno leitor, fazendo uso de estratégias que o tornem capaz de construir e reconstruir o significado do texto conforme o lê. A mesma autora pondera que as estratégias representam um grande fator pelas quais se diferenciam os bons e maus leitores. São ao todo cinco estratégias, as quais apresentamos na sequência.

A primeira estratégia, que é determinar as ideias principais do texto, consiste em separar ideias principais de secundárias. Acerca dessa estratégia a autora afirma que nem sempre o aluno entende o porquê de realizar tarefas desse tipo, cabendo ao professor motivá-lo, propondo a troca de ideias entre o aluno e seus pares, em grupo, dessa forma estará também promovendo entre eles a interação, a negociação. “O estímulo à participação é essencial, pois essa estratégia é tida como um dos fatores básicos da compreensão” argumenta Gonçalves (2008, p. 141).

A segunda estratégia, “sumariar a informação contida no texto”, significa, segundo a supracitada autora, resumir ou parafrasear explicitando o ponto de vista. Pode parecer uma tarefa difícil se imaginarmos tratar-se de crianças do primeiro ciclo. Entretanto, a ideia consiste em fazer com que a criança seja capaz de reproduzir o que leu mesclando palavras do texto com suas palavras, ao, por exemplo, contar uma história.

Gonçalves (2008) esclarece que a terceira estratégia, “efetuar inferências sobre o texto”, evidencia a compreensão leitora da criança com base em informações que são ativadas em sua mente durante a leitura. A quarta estratégia sugerida pela autora é “fazer questões pertinentes sobre o texto”, atividade que permite avaliar o significado do texto para o aluno, a profundidade da compreensão do texto pelo aluno.

A quinta e última estratégia sugerida por Gonçalves (2008) é o “monitoramento da leitura”. Trata-se, segundo a mesma autora, de uma “estratégia metacognitiva, que enseja refletir sobre os próprios pensamentos.” (p. 50). Essa estratégia pode ser utilizada quando se percebe no alunado certa “maturidade” adquirida na constante experiência com a leitura.

Não podemos afirmar que essas estratégias são completas ou que dão conta de todas as realidades escolares e práticas de formação de leitor. Ou ainda, que atendam a todos os níveis de ensino. Se assim fosse, em todos os textos o aluno conseguiria se reconhecer como parte deles. Bem sabemos que não é assim, principalmente em se tratando das histórias/contos de fada/literatura infantil, por exemplo.

Para complementar em relação às estratégias de ensino da leitura, recorremos a Gazola (s/d), que sugere a Contação de História no primeiro ciclo – ensino fundamental. Este autor explica que essa estratégia forma na criança o gosto pela leitura: “ao ouvir uma história, ela adquire o impulso inicial que mais tarde a atrairá para a leitura. A literatura infantil, principalmente os contos de fadas, podem ser decisivos para a formação da criança em relação a si mesma e ao mundo a sua volta.” (GAZOLA, s/d, p. 01). Entendemos que as práticas leitura referem-se à:

(i) criação de situações reais de leitura em sala de aula, bem como à (ii) busca de apreensão e negociação dos significados que os aprendizes atribuem à leitura em geral, bem como à leitura de diferentes gêneros. Em se tratando da criação de situações reais de leitura, a noção pedagógica de práticas de leitura retoma, ainda que de forma ampliada, a de “usos sociais da língua escrita” ou de “usos sociais da leitura”. Ela busca recriar, no interior da escola, as práticas de leitura que ocorrem em outras esferas do mundo social e não apenas fazer atividades para aprender a ler. (BATISTA, 2019, p. 01).

Reconhecemos que a aprendizagem da leitura de ser estimulada e motivada, respeitando o tempo de aprendizagem do aluno, de modo que cada estratégia a ser utilizada nesse processo seja muito bem planejada, levando-o ao pleno desempenho da leitura (compreender o que lê e ser capaz de reproduzir o que leu.

REFERENCIAS

BRASIL/MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais. 3. ed. Brasília – DF: MEC, 2001

______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília – DF: MEC, 1997.

GAZOLA, André Augusto. Contação de histórias – O guia definitivo. In: Lendo.org, Sem Data (s/d). Disponível em: <https://www.lendo.org/guia-definitivo-contacao-historias/>. Acesso em: 08 out. 2019.

GONÇALVES, Suzana. Aprender a ler e compreensão do texto: processos cognitivos e estratégias de ensino. In: Revista Iberoamericana de Educación – No. 46, jan.- abr. 2008.

MEC. BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Ministério de Educação – MEC / Conselho Nacional de Secretários de Educação – CONSED / União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME, 2019. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2020.

SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Tradução: Cláudia Schilling. Revisão técnica: Maria da Graça Souza Horn. 6ª. ed. Porto Alegre: Penso, 2014.

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