Sucesso Escolar – Percepção dos Educadores de Escolas localizadas em Comunidades Populares

Resumo:

O objetivo deste estudo foi contribuir para o entendimento de quais são os fatores que determinam o sucesso escolar de alunos dos meios populares, por meio da percepção dos educadores. Trata de um estudo descritivo, quantitativo e qualitativo. O instrumento de coleta dos dados foi um questionário estruturado com perguntas objetivas e subjetivas As perguntas objetivas se relacionam a identidade dos professores e vivência no ambiente escolar. As subjetivas buscam conhecer quais os fatores que possivelmente determinam o sucesso escolar por meio da percepção dos educadores. Participaram após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, 42 professores de uma escola da rede municipal de ensino Fundamental localizada no bairro Carapina Grande, no município de Serra no Estado do Espírito Santo. Foi empregada a estatística descritiva para que os dados numéricos sustentassem os dados qualitativos que foram obtidos por meio da categorização pela técnica da análise de conteúdo. Os fatores determinantes em ordem de prioridade foram a família, a escola, o próprio aluno, a saúde e a questão socioeconômica. Conclui-se que esses fatores devem atuar interligados e combinados para o alcance do sucesso escolar de alunos das escolas de comunidades populares objeto desse estudo.

Palavras Chave: Sucesso Escolar. Aprendizagem. Educação

*Graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES. Pós-graduação em Administração Escolar pela Faculdade Salgado de Oliveira – UNIVERSO.

School Success – Perception of Educators Schools located in Popular Communities

Abstract

The aim of this study was to contribute to the understanding of what are the factors that determine academic success of students of popular communities, through the perception of educators This is a descriptive and quantitative and qualitative study. The instrument for data collection was a structured questionnaire objective and subjective questions objective questions relate to identity and experience of the teachers in the school environment. Subjective questions seek to know what factors possibly determining school success. Participated after signing an informed consent, 42 teachers from in the municipal elementary school located in Carapina Grande, Serra at Espirito Santo, Brazil. Descriptive statistics was used for the numerical data sustain the qualitative data that were obtained by categorizing the technique of content analysis.The determinants factors in order of priority are the family, the school, the student’s own, the health and socioeconomic issue. The concludes that these factors should act interlocking and combined to achieve academic success of students of popular communities studied.

Key-Words: Academic success. Learning. Education.

INTRODUÇÃO

A palavra sucesso segundo o dicionário Aurélio (Ferreira,1975,p.1333) significa bom êxito, resultado feliz. No que refere a sucesso escolar, a Lei no 9394/96 que determina as Diretrizes e Bases da Educação Nacional afirma:

A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Lahire (1977), considera que sucesso e fracasso escolar são noções vagas, pois o sentido e as consequências do sucesso ou do fracasso variam historicamente, dependem do momento histórico e da posição socioeconômica do sujeito envolvido. Para esse autor são noções relativas de extrema variabilidade que devem ser analisadas segundo suas variações históricas e sociais (p.54).

Entretanto, Souza e Silva (2003) em pesquisa realizada em uma comunidade popular, afirma que sucesso escolar é definido a partir da conquista pelos estudantes provenientes de setores populares do diploma de nível superior, seja em instituição pública ou particular (p.18).

Perrenoud (2003) argumenta que há uma dupla definição de sucesso escolar. Há a definição usual que considera o ensino efetivamente ministrado e é relacionada ao desempenho dos alunos: são exitosos aqueles que atendem as normas de excelência escolar e avançam nos cursos. A segunda definição seria mais objetiva, porém privilegia o que pode ser medido por testes padronizados: o cognitivo em detrimento do socioafetivo, as capacidades e conhecimentos mais que as competências e a relação com o saber.

No Brasil, em setembro de 2009, realizou-se a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) com 153.837 pessoas em todo o país. Os dados obtidos e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE,2000) apontaram que entre os cidadãos com 15 anos ou mais de idade, 20,3% eram analfabetos funcionais, ou seja, com menos de quatro anos de estudo. Em acréscimo, indicaram que 14,1 milhões de brasileiros, o que corresponde a 9,7% da população, são afetados pelo analfabetismo e que a média de anos de estudo dos brasileiros com idade acima de 10 anos, foi de 7,2%, próximo dos quatro anos a menos do que o previsto pelo sistema educacional do Brasil.

A análise destes dados,fomentam a política dos discursos educacionais e têm provocado grande inquietação entre estudiosos e profissionais da educação como os gestores, educadores e coordenadores pedagógicos quanto aos fatores que influenciam diretamente a este resultado desafiante para a educação brasileira.

A vivência significativa do ambiente escolar no ensino infantil e fundamental em bairros periféricos do município de Cariacica no Espírito Santo, permitiu-me deparar com o sucesso e o fracasso escolar em uma mesma comunidade. Este fato despertou o interesse em buscar conhecer quais os fatores que influenciavam os alunos, a aprenderem com maior ou menor qualidade, ou seja, o que favorecia o sucesso ou o fracasso na escola.

Por outro lado, em relação ao aluno, observa-se que apesar de alguns aspectos negativos, como a família desestruturada, a violência doméstica, o trabalho infantil, alguns conquistam o sucesso escolar e destaque acadêmico, enquanto outros que possuem as condições necessárias para se desenvolverem bem na escola não apresentam bom desempenho. Segundo Charlot (1996, p.48) é fácil mostrar porque não é tão surpreendente que as crianças de meios populares fracassem, porém ficamos sem explicação diante daquelas que obtêm “sucesso escolar”.

Em acréscimo, o desenvolvimento de pesquisas centradas no fracasso escolar, despertou o segundo interesse sobre o tema em tela. Pretende-se, por meio deste estudo, contribuir para o entendimento de quais são os fatores que determinam o sucesso escolar de alunos dos meios populares, por meio da percepção dos educadores.

METODOLOGIA

Trata de um estudo descritivo quantiqualitativo. O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado com perguntas objetivas e subjetivas As perguntas objetivas se relacionam a identidade dos professores e vivência no ambiente escolar. As subjetivas buscam conhecer na opinião desses educadores, quais os fatores que contribuem para o sucesso escolar. A análise das perguntas subjetivas foi feita pelo método de análise de conteúdo (Minayo, 1994). Participaram após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, 42 professores de uma escola da rede municipal de ensino Fundamental localizada no bairro Carapina Grande, no município de Serra no Estado do Espírito Santo.

A pesquisa realizou-se em 2012 e foi aplicada a estatística descritiva para os dados quantitativos e categorização para as respostas subjetivas.

RESULTADOS

Dos 42 de professores pesquisados, 97% são do sexo feminino e 3% pertencem ao sexo masculino 38% atuam na educação por mais de 15 anos, 24% há 11-15 anos, 21% entre 0-5 anos.

Em relação ao item interação família/escola, 57% dos professores responderam que esta ocorre quando os pais são convocados, 31% apontaram os eventos festivos e 12% a procura por parte dos pais.

Quanto a ação para promover a interação família/escola 60% dos professores responderam a reunião de pais, 38% a comunicação via caderno dos alunos e 2% comunicação verbal solicitando a presença dos pais.

A relação escola-família para 48% dos professores contribui para a aprendizagem significativa, 33% por estimular o aluno e 19% por demonstrar interesse pelas atividades da escola.

Quanto ao tempo em horas de estudo no lar, 60% dos professores responderam uma hora, 24% duas horas, 12% mais de duas horas e 4% quanto for necessário.

Quanto ao sucesso escolar do aluno, 69% dos professores afirmaram que resulta da parceria entre a escola-família e 39% da vontade própria do aluno.

Em relação a parceria escola/família 69% dos professores responderam a unicidade de objetivos, 12% realização de oficinas pedagógicas, 12%, a comunicação verbal assídua com a escola e 7% os trabalhos para casa. Os dados estão apresentados no gráfico1.

Gráfico 1 – Atuação da escola com vistas a favorecer o sucesso escolar dos alunos.

Fonte: dados da pesquisa, 2012

Quanto ao sucesso escolar/condição socioeconõmica, 45% afirmam relação positiva, 8% atribuem ao próprio aluno, 7% que não tem nenhuma relação e 2% optaram por não responder, Os resultados são apresentados no gráfico 2.

Gráfico 2 – Condição social e econômica da família versus bom desempenho

Fonte: dados da pesquisa, 2012

Em relação aos fatores que contribuem para o sucesso escolar, 40% responderam a família, 24% indicam a escolaridade da mãe, 17% outros fatores, 7% a escolaridade do pai, como mostra o Gráfico 3.

Gráfico 3 – Fatores familiares versus sucesso escolar

Fonte: dados da pesquisa, 2012

Em relação a contribuição da escola para o sucesso escolar, 57% afirmaram capacitação de professores,19% menor número de alunos/sala de aula, 14% escola com a biblioteca e 7% escola com internet ( grafico 4).

Gráfico 4 – Escola versus sucesso escolar.

Fonte: dados da pesquisa, 2012.

Ainda em relação ao sucesso escolar, 41% dos professores afirmam a importância da família. 29% professores escolas competentes, 26% a autoestima do aluno, 2%a saúde geral do aluno e 2% as condições econômicas, como mostra o gráfico 5.

Gráfico 5 – Fatores relacionados ao sucesso escolar de alunos.

Fonte: dados da pesquisa, 2012

As perguntas subjetivas foram organizadas por categorias de análise, a partir de temas e questões levantadas pelos professores A seguir elencou-se as categorias que foram diagnósticadas nas respostas dos professores por ordem de prioridade.

Familia: Apoio dos pais e familiares, boa estrutura familiar, valores transmitidos

Escola: Competência do professor, boa base, direção competente, coerência no processo, aula prazerosa, conteúdos, atividades outras.

Aluno: Componente emocional, amigos, currículo de vida que o aluno traz, força de vontade, motivação

Saúde: Esportes, alimentação, boa qualidade de vida.

Questão Econômica: Recursos econômicos, nível de classe social.

DISCUSSÃO

Os resultados encontrados, permitem afirmar que as mulheres são maioria nas escolas brasileiras, o que vem corroborar com os dados do IBGE (2000). A diversificação do tempo de vivência no ambiente escolar possibilita observar o problema da pesquisa de diferentes prismas. São interpretações de profissionais com prática escolar em realidades diferentes que representam o cenário educacional, seja de sucesso ou fracasso escolar. A experiência profissional permite a troca de ideias entre faixas etárias diferentes, o que permite uma melhor análise do problema.

Em relação ao sucesso escolar, os educadores apontaram vários fatores como importantes influências para o sucesso escolar. Observa-se nas respostas subjetivas que nenhum professor citou um fator isolado como determinante, mas sempre a combinação de fatores. Fica claro, também, que a ausência de um deles não determina que não se alcance o sucesso.

Como fator fundamental para o alcance do sucesso, destaca-se a boa base familiar com pais (ou algum parente próximo) que o incentivem na busca de um ideal. Outro aspecto importante para os professores são os valores transmitidos pela família em relação a escola, estimulando a ida do aluno as aulas e valorizando a escola. Esses resultados estão de acordo com aqueles citados por Lahire(1997) que, em sua pesquisa com crianças de sucesso, diz ter encontrado famílias que iam a bibliotecas, pais que davam livros de presentes para seus filhos, além de lerem o mesmo livro para comentarem juntos. Da mesma forma, a criança pode não demonstrar nenhum tipo de interesse pela leitura por não encontrar um modelo que a oriente nessa direção.

Os resultados mostram que independente da condição financeira dos pais, o exemplo familiar é marcado como extremamente importante. Ainda Lahire (1997), referindo-se às formas familiares da cultura escrita, fala sobre como as pequenas práticas do cotidiano familiar auxiliam na formação de hábitos, na organização do tempo etc. Por exemplo, no uso de agendas, organização de fotografias por datas/eventos/lugares, uso do calendário, lista de compras ou de coisas a fazer, registro dos recursos financeiros. Tais práticas levam a criança a se organizar, ter regularidade, saber planejar o que a auxilia nos momentos escolares em que precisará dessas habilidades. Para esse mesmo autor: Precisão, regularidade, interiorização, calma, autonomia, ordem, clareza e minúcia, essas são as qualidades indissociavelmente comportamentais e organizacionais que sobressaem de todo um conjunto de elementos em relação ao contexto da entrevista, o estilo do discurso mais do que seu conteúdo. (…) essas qualidades familiares são também qualidades escolares (p. 294).

Pode-se constatar, que a organização familiar é fundamental para o sucesso de uma criança, deixando claro que, quando se fala em organização familiar, não se refere necessariamente a ter um modelo de família tradicional, mas à qualidade das relações que se estabelecem entre seus membros.

O segundo aspecto mencionado pelos professores é em relação à escola e aos seus professores. Nele, estão implícitos os fatores advindos de uma direção comprometida com seus alunos e de professores competentes e atualizados. É mencionada a necessidade de uma escola que dê uma formação mais completa ao aluno, oferecendo atividades fora de sala de aula, como projetos e oficinas, favorecendo a convivência na comunidade escolar. Ou seja, a escolha de uma escola considerada de boa qualidade é um dos fatores que exerce influência no sucesso do aluno o que vem corroborar com os estudos de Nozaki, Dias e Ferreira (2003) e Carvalho em 2010.

De acordo com Souza e Silva (2003) a qualificação se sustentava, dentre outras variáveis, na experiência e formação dos professores, na preservação e funcionamento das instalações, no compromisso de determinados grupos da unidade escolar com a manutenção da tradição da instituição e, não menos importante, em função da possibilidade de selecionar, dentre um universo ampliado de candidatos ao ingresso, alunos mais preparados. Assim, a manutenção da qualidade se alimentava da distinção, historicamente conquistada por aquela unidade específica de ensino (p. 136).

Mas, embora a qualidade da escola como um todo seja fundamental, sem sombra de dúvida, a grande estrela é o professor com sua dedicação, competência, motivação e prazer no que faz. Ele tem que ser competente e saber fazer uso dos recursos disponíveis, além de ter uma boa formação. Um dos entrevistados reforçou a necessidade de transformar o ato de ensinar e aprender em algo realmente prazeroso.

Pode-se dizer que, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela escola nos nossos dias, ela ainda tem a representação de uma instituição séria que faz um importante diferencial na vida de quem a frequenta.

Outro fator essencial para o sucesso de um aluno é o seu próprio interesse em aprender, sua força de vontade. Além da família e da escola, o próprio aluno tem um importante papel em seu sucesso escolar. Concorda com este resultado Zago em 2000.

Ressalta-se, ainda, a importância de ter força de vontade e disciplina. E, para estar motivado, o aluno precisa acreditar no valor do que está fazendoÉ importante que o aluno interiorize a necessidade do estudo, da leitura, da regularidade. Lahire (1997) percebe que algumas crianças que apresentam sucesso escolar interiorizam certas regras em forma de “necessidades pessoais”. Esse autor realça a necessidade de se desenvolver a autonomia do aluno, ou seja, que ele aprenda a se “virar sozinho”, buscando entender suas deficiências para poder saná-las, procurar fazer uso das ferramentas que estão à sua disposição como dicionários, mapas etc. Para Lahire (1997):

Todas as crianças parecem ter interiorizado precocemente (…) o sucesso escolar como uma necessidade interna, pessoal, um motor interior. Assim, elas têm menos necessidades de solicitações e de advertências externas do que outras crianças, e até parecem, às vezes, mais mobilizadas do que os pais (p. 197).

Em acréscimo,Souza e Silva (2003), afirmam que as redes sociais priorizadas pelos estudantes em períodos escolares mais avançados, ocupam os papéis centrais no desdobramento de suas trajetórias escolares (p. 144).

Observou-se ainda que a condição econômica do aluno é um fator que influencia o sucesso escolar. Esse fator se relaciona ao fato de permitir ao aluno ter acesso a outras realidades, outras culturas por meio de viagens, ampliando, assim, sua visão de mundo, o que facilita a sua inserção futura em instituições de ensino de nível superior. Apesar disso, todos os professores concordam que, independente do fator econômico, o sucesso é uma possibilidade real.

Outro fator em destaque na pesquisa é a saúde geral do aluno, a importância de uma boa qualidade de vida que inclua a prática de esportes e uma boa alimentação. Foi percebido que a saúde só tem importância quando é referida a sua ausência, ou seja, só é percebida sua real importância quando o aluno está doente, tem alguma limitação física, faz uso de drogas, não tem boa alimentação.

Um aspecto interessante recorrente nas falas dos professores, embora eles próprios, em nenhum momento, tenham se dado conta, foi a relação com a hierarquia das necessidades proposta por Maslow (1943), ou seja, no conjunto das entrevistas, foram encontradas representações relacionadas a todos os níveis propostos por este autor.

A exemplo, os entrevistados consideram as necessidades fisiológicas quando mencionam a importância de dormir bem, alimentar-se adequadamente. Ao realçar a necessidade da boa estrutura familiar, remetem-se ao segundo patamar da pirâmide, que se refere à necessidade de segurança. No terceiro patamar, encontramos a necessidade de amor, representada por eles pelo comprometimento da família, da escola e dos próprios colegas. No quarto nível, são citadas a competência do aluno e a necessidade de estar motivado positivamente e acreditar em si mesmo, remetendo-se às necessidades ligadas à autoestima. Por fim, no último nível, está a necessidade de autorrealização, na qual o cidadão bem ajustado forma sua família e está inserido satisfatoriamente no mercado de trabalho. Ao analisar as proposições de Maslow, Chiavenato (1994) afirma:

Maslow formulou uma teoria da motivação com base no conceito de hierarquia de necessidades que influenciam o comportamento humano. Maslow concebeu essa teoria pelo fato de o homem ser uma criatura que expande suas necessidades no decorrer de sua vida (p. 68).

Na visão de Chiavenato (1994), nem todas as pessoas chegam a alcançar o último nível da pirâmide, pois este passa por uma conquista individual. Já para Mamede-Neves (2003), é importante salientar que os diferentes níveis de motivação propostos por Maslow não estão dispostos em escala de importância; apenas mostram como foram constituídos ao longo da vida do sujeito. Segundo o autor, o ser humano harmonicamente desenvolvido precisa ser atendido em todos esses níveis.

Com base na amostra do estudo e na sua distribuição das representações por todas as camadas da pirâmide de Maslow, pode-se sugerir que, para a maioria dos professores, a representação comum de sucesso escolar deve ser a mais abrangente, ou seja, o sucesso escolar seria a preparação e obtenção de todos os níveis da pirâmide, tendo, portanto, o sujeito atendido às suas necessidades.

Lahire (1997) acrescenta que “esses múltiplos elementos não se somam uns aos outros, mas se combinam para criar a realidade” (p. 287). Na verdade, para que um aluno venha a ter sucesso escolar, todos os fatores devem atuar em conjunto. Eles não são determinantes, pois, mesmo estando presentes na vida de uma pessoa, não são garantia de sucesso.

Conclusão:

Conclui-se com base nos resultados obtidos neste estudo, que vários fatores atuam interligados, combinados entre si, para a obtenção do sucesso escolar. Esses fatores elencados por prioridade são: a família, a escola, a motivação do aluno, a saúde e a condição socioeconômica.

REFERÊNCIAS

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SOUZA E SILVA, J. Por que uns e não outros: caminhada de jovens pobres para a universidade. Rio de Janeiro: Sete Letras, 2003.

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PERRENOUD, P. Sucesso na escola: Só o curriculo nada mais que o curriculo. Cadernos de Pesquisa (Brasil), n.119, 2003, p.7-26.

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CHIAVENATO, I. Recursos humanos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1994.

MAMEDE-NEVES, Maria Aparecida. A motivação humana. In: ______. Aprendendo aprendizagem. 3. ed. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2003. (CD-ROM)

MINAYO, M. C. S. (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994

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